Do gaviãozinho à aeronave azul.

praca centralLá se vão mais de trinta e cinco anos, onde a Praça João Costa apresentava à uma multidão o espetáculo do gavião devorador de pardais… Às cinco da tarde, mais de três mil pessoas aglomeravam- -se para ver a ave de rapina dar seu voo de uma árvore seca, situada aos fundos da Cutia Loterias, até a antena da Telesc ! No trajeto de ida ou de volta, sem dó nem piedade e sob aplausos gerais e irrestritos, papava um pequeno pássaro… O espetáculo durou semanas e mais semanas ! A notícia correu o estado e virou referência lageana. Só faltou o Globo Repórter ou um furo no Jornal Nacional… Acho que o Cid Moreira não gostava disso! Tocou-me a tarefa, imposta pela sucursal do jornal O Estado, na pessoa do diretor dela, Nélson Zambon, contar o causo em ampla reportagem e publicada na página de meio. Veio gente de longe pra conferir… Nosso gavião era falado em Floripa, matava de inveja os lageanos de Balneário Camboriú , gringos lá do Oeste se propunham a fazer uma passarinhada e os guapos do Capão Alto embicavam o nariz falando do tamanhão de seus caranchos….                                                                                   Os tempos mudaram. Faltam gaviões e pardais e sobram pombas, além de saudosos e “usados” cidadãos ocupando os bancos da praça. O fechamento do Aristiliano, regorgitante de crianças e adolescentes, ajudou Lages a  envelhecer sua página central. Agora, o progresso buscou outras veredas, longe do povão … Shopping lá…na saída dos Índios e da Bocaina… Mas, sem gavião ! O top de linha agora é o avião da Azul ! Come dezenas de gentes, todos os dias, levando alguns curiosos até ao aeroporto, para ver quem vai a “Sumpaulo”. No fundo, um sentimento de inveja… Nos tempos poéticos do gaviãozinho da praça, muita alegria e muitos aplausos. O que eu pretendo dizer com este papo anacrônico ? Nada ! Fica o causo, resta a saudade e a alegria de contar que nossas lageanices antigas eram muito mais engraçadas. (Prof. Ari Martendal – O Momento).

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